Dízimo, CDB e Republicanos
A Polícia Federal diz que o Digimais, banco de Edir Macedo, teria usado tecnologia parecida com a do Banco Master: ativo inflado, balanço maquiado, CDB gordo, auditoria trocada e solvência de cenário de novela.
Ainda é investigação, mas o roteiro político já entrou em cena de terno, crachá e senha preferencial.
Por trás do banco não há apenas um controlador bilionário e uma megaigreja; há televisão, bancada, partido, governo estadual, capilaridade institucional e um mercado precioso chamado crédito consignado - desconto em folha, risco menor, clientela quase cativa.
O governo Tarcísio, do Republicanos, partido de ligação umbilical com a Universal, autorizou o Digimais a oferecer consignado a policiais militares de São Paulo. Em português claro, o banco da fé ganhou acesso à folha de pagamento da tropa.
A teologia da prosperidade fez upgrade: antes, prometia bênção; depois, vendia milagre; agora oferece CDB, consignado e aparência de liquidez.
Master e Digimais, segundo a PF, parecem capítulos da mesma escola de engenharia financeira tropical: transformar buraco em ativo, risco em produto e confiança pública em combustível de captação.
A diferença é que, no caso Digimais, o dinheiro não circula sozinho; circula dentro de um ecossistema: púlpito, Record, Republicanos, PM, Banco Central, FGC e ambição de poder no fundo da sala.
Liberdade religiosa é sagrada; banco, não. Banco tem balanço, auditoria, regulador, responsabilidade e CPF na tomada.
A Operação Miragem recebeu o nome certo por acidente ou por sarcasmo divino: onde vendiam prosperidade, pode haver apenas deserto - com CNPJ, púlpito, aplicativo e desconto em folha.
Julio Benchimol Pinto



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