O mesmo sujeito que berrava “bandido bom é bandido morto”, que defendia cadeia dura, cela quente, comida fria e zero frescura, agora descobriu o drama humanitário do… ar-condicionado.
Sim, Jair Bolsonaro, o apóstolo da brutalidade penal, o profeta da bala e do porrete, resolveu denunciar ao mundo que o ar-condicionado da PF faz barulho. Barulho. Não tortura, não fome, não superlotação. Barulho. O ruído do sistema de climatização virou violação de direitos humanos. Kafka com filtro HEPA.
Antes, para os outros, era assim: cadeia não é hotel, criminoso tem que sofrer, mimimi é coisa de esquerdista. Agora, quando o hóspede é ele, a cela vira spa mal avaliado no TripAdvisor: muito fria, muito barulhenta, pouco acolhedora. Falta só pedir toalha egípcia e aromaterapia.
A cena fica completa quando entra Alexandre de Moraes, o vilão favorito do bolsonarismo, perguntando à Polícia Federal se dá pra baixar o volume do ar. A PF responde: não dá sem mexer no prédio inteiro. Traduzindo: não é Netflix, não tem botão de volume.
É pedagógico. O discurso da barbárie funciona muito bem… até o dia em que a barbárie ganha CPF, processo e cela. Aí o Estado mínimo vira Estado sensível, a mão dura pede luva de pelica, e o macho alfa descobre que ruído contínuo incomoda.
Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto.























