Em 2020, quando Amy Acton dirigia a Saúde de Ohio durante a pandemia, extremistas armados apareceram diante de sua casa. Vieram também ameaças e ataques antissemitas.
O crime da médica judia? Defender medidas para proteger a população da Covid.
Seis anos depois, Amy acaba de ser eleita governadora do mesmo estado!
É a primeira mulher eleita para o cargo, a primeira governadora judia e a primeira democrata a vencer em 20 anos.
Sua história é extraordinária. Cresceu na pobreza, passou parte da infância sem teto, sobreviveu à violência e tornou-se médica.
Seu adversário, o bilionário trumpista Vivek Ramaswamy, resolveu transformar essa infância dolorosa em munição eleitoral. Chegou a utilizar a mãe de quem Amy estava afastada havia décadas num anúncio para acusá-la de mentir. A sordidez provocou indignação até entre republicanos.
Trump, JD Vance e o dinheiro de Elon Musk entraram em campo. Mais de US$ 100 milhões foram gastos contra ela.
Amy venceu por quase oito pontos percentuais!
Enquanto o adversário explorava ressentimentos e ataques pessoais, ela falava de saúde, escolas, medicamentos caros e famílias que mal conseguem pagar suas contas.
Ohio, que votou três vezes em Trump, resolveu mudar de rumo.
E há algo especialmente emocionante nessa vitória: uma mulher judia, hostilizada por antissemitas e atacada por defender a ciência, conquistou a confiança de um eleitorado majoritariamente cristão.
Na noite da vitória, Amy anunciou que começava a cura.
Ramaswamy talvez precise de uma boa médica para lhe explicar o resultado. Infelizmente para ele, a melhor estará ocupada governando Ohio.
- Julio Benchimol Pinto

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