Nas eleições americanas de ontem, 67% dos judeus votaram nos democratas. Trump, que já acusou judeus democratas de odiarem a própria religião, deve estar procurando um cartório que cancele 67% das carteirinhas de judeu.
Em Israel, a extrema direita tenta impor sua definição de quem é judeu, chama opositores de traidores e trata os votos dos cidadãos árabes como intrusos na democracia. Netanyahu quer governar o Estado judeu, mas parece ter dificuldades com judeus que pensam por conta própria.
No Brasil, os fiscais da pureza judaica conseguiram ser ainda mais grotescos.
Judeus que apoiaram Lula foram chamados de kapos. Circulou uma lista de boicote com mais de 1.300 nomes, intitulada “Relação do primeiro trem para Auschwitz”.
A memória do Holocausto transformada em instrumento de perseguição eleitoral! Até a CONIB e a Fisesp condenaram a baixaria.
Hoje, 4 de novembro, completam-se 31 anos do assassinato de Yitzhak Rabin, morto por um extremista judeu que o considerava traidor por negociar a paz com os palestinos.
A história deveria ter ensinado alguma coisa a esses inquisidores de WhatsApp.
Somos judeus por nossa história, cultura e pertencimento; religiosos ou seculares, sionistas ou não, de esquerda ou de direita.
Não precisamos de certificado de autenticidade emitido em Mar-a-Lago, Jerusalém ou algum condomínio de luxo brasileiro.
E quem utiliza Auschwitz para ameaçar outros judeus deveria ter, ao menos, a decência de deixar nossos mortos em paz.
- Julio Benchimol Pinto e Marcelo Semiatzh

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