Flávio Bolsonaro acaba de oferecer uma contribuição revolucionária ao Direito brasileiro: o recurso com embarque retroativo.
Já instalado nos Estados Unidos, apresentou três petições ao STF. Quer transferir a investigação sobre suas relações com Willer Tomaz para André Mendonça, afastar Alexandre de Moraes por suspeição e revogar a proibição de sair do Brasil.
A última é uma obra-prima. O sujeito atravessa a fronteira, chega aos Estados Unidos e depois pede autorização para viajar.
Quer Mendonça como juiz natural. Naturalíssimo: foi indicado ao Supremo pelo papai. A genética processual nunca esteve tão avançada.
A defesa invoca prevenção, imparcialidade e proporcionalidade. Questões jurídicas sérias, que exigem exame rigoroso.
Enquanto isso, a Polícia Federal informa que Flávio não entregou os passaportes estrangeiros e saiu do Brasil sem registro nos postos migratórios.
Mas vem a parte comovente: seus advogados asseguram que ele tem “integral disposição de colaborar” e comparecerá quando convocado.
Que maravilha! Para entregar os documentos, desapareceu. Para pedir que a ordem desapareça, apareceram três petições.
Agora aguardamos a quarta: um pedido para que Miami seja declarada comarca do Rio de Janeiro, com direito a oficial de justiça em classe executiva e diária em Mar-a-Lago.
Julio Benchimol Pinto

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